Texto 11

Ao me separar do Luís continuei a minha vida, mas deixei a Metropolis e passei a fazer eventos. Não tinha ninguém que fazia pois não era o costume nos anos 80. Como era a única, era chamada pelas agencias de publicidade e vários produtos novos que saiam na praça. Batalhei bastante, ganhava bem na época, no meio disto resolvi fazer o Premio Carlos Gomes que para os músicos foi um sucesso, põem ate hoje no Curriculum, “Recebi o Premio Carlos Gomes, de piano do ano tal” e dava uma premiação na sala São Paulo graças ao Deputado Marcos Mendonça que era o secretario da Cultura e intimo do Mario Covas, que época boa!!!
A noite saia muito, nunca fui de altas madrugadas, mas também nunca perdi uma estreia de Teatro, um lançamento de um filme, uma abertura de um novo restaurante e era viciada em ler todas as revistas. Hoje sinceramente não leio revista nenhuma. Acho que o Facebook e o Instagram acabaram com a parte editorial do mundo, ou pelo menos aqui no Brasil. 
Mudando de assunto, todos os meus fins de semana durante 23 anos foram praticamente passados na praia. Primeiro fiz uma casa em Maresias, todos se lembram dela, e convidava todos os amigos. Tinha 6 suítes, pé na areia, era uma delícia. Fiquei lá por 11 anos, até que um dia apareceu um corretor oferecendo o que eu considerava um dinheirão e eu disse que não, mas depois pensei bem e resolvi que o tráfego já estava ficando insuportável, que já existiam muitas casas, que já tinham me roubado 2 vezes nada de importante, mas só desaparecer uma televisão e te quebrarem o vidro para entrar , é ultra desagradável.
Ai um dia estava em Iporanga e vi uma praia que me disseram que se chamava Taguaíba, peguei meu carro e fui sozinha ver como era a praia, pois nunca tinha ouvido falar. Aliás, naquela época nem no Guarujá era uma praia conhecida. Entrei e perguntei para o corretor se tinham terrenos para vender e ele disse que tinha montes. Escolhi um e naquela semana mesmo comprei o terreno que era baratíssimo. Servia até como investimento, mas eu estava achando que era muito melhor passar o fim de semana na praia do que em São Paulo e rapidamente pedi para meu amigo e compadre Alberto Botti se ele topava fazer uma planta para mim. Disse que ele não pensava em plantas, mas que ia falar com o Marc Rubin que era seu sócio, meu amigo também, e 2 dias depois Marc me ligou dizendo que faria com prazer. Eu fui correndo no escritório deles e saiu uma planta que adorei, e não modificamos quase nada. Bom este foi o meu Paraiso das Orquídeas, casa construída com muito amor , íamos toda semana as 6 da manha, ver a obra, e cada vez eu me apaixonava mais.
Fiz uma inauguração com uma banda do Pereque, convidei todos da praia e muitos amigos de SP e Marc foi e queria que eu comprasse o terreno vizinho, mas o meu amor comprou e assim alargamos as subidas dos carros e dava para estacionar folgado 8 carros, o que acho gostoso.
Não me lembro o que comemos, mas sempre em casa todos gostam, pois faço uma comida caseira, gostaria de poder fazer tudo com o Toninho Mariutti mas faço em casa mesmo, pois não dá, mas sempre encomendo algo de muito bom no Toninho. Eu fico louca pelas cocadas dele e o Bolo salgado de Bacalhau que servi para meus filhos no Natal.
Voltando a casa, Passei treze anos indo para lá praticamente todos os fins de Semana, e sempre convidava amigos, mas o principal eram os filhos e os netos.
Eles gostavam muito, a Thais minha neta chegou a levar 21 amigas, tiraram a minha cama e dormiam em cima de colchoes no chao e foi um fim de semana inesquecível que não teve lugar nem para mim.. O Andre também levou muitos amigos , mas eu ia sempre e levava alguém .Até o Georges meu filho de 50 anos tinha um grupo para levar e não sobrava lugar para mim, e eu reclamava bastante. Depois de 13 anos vendi a casa, pois o meu dinheiro praticamente acabou , ainda antes vendi meu Di Cavalcanti para aguentar mais um ano, e depois Caput.
Estamos numa época de vacas magras, eu já estou começando a ficar uma velinha e de repente apareceu um corretor de Santos, que levou um casal para lá de simpático, que compraram a casa para um filho e uma filha.
Fiquei feliz, pois como vendi de porteira fechada, deixei tudo, e eles me telefonaram para dizer que estão felizes com a casa e com os caseiros.
Meu apartamento em SP estava um pouco delabre ai chamei o meu decorador e amigo Joao Rigo e estamos mudando os tecidos dos sofás e poltronas , mais alegres, limpinhos e novinhos. Vou precisar dar um Happy Hour
para comemorar esta mudança, quem não me conhece direito vai pensar que é um Palácio aonde moro, mas não é não.
Prometo escrever em breve.

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